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Cem
anos de muitas glórias
Lenilvado
Aragão Editor de Esportes/JC
Poucos
conseguem chegar aos 100 anos. Menos ainda alcançam
tamanha longevidade, com tanta vitalidade, marcando
gols, vibrando, chorando, agitando a massa. O
Clube Náutico Capibaribe conseguiu. Hoje,
cada coração alvirrubro carrega o suave peso de
uma paixão que já dura um século. Paixão lotada
de lembranças: do pequeno grupo de rapazes que
se reunia para remar no rio Capibaribe, de cada
jogo que gerou o hexacampeonato pernambucano,
dos chutes de Bita, da primeira camisa alvirrubra
que ganhou do pai, daquela sensacional vitória
de virada, das prévias carnavalescas do Baile
Vermelho e Branco, do passo em frevo rasgado atrás
do Timbu Coroado, das farras pós-jogo junto à
galera da Timbucana, dos atuais gols de Kuki e
Rafael. Como esquecer os irmãos Carvalheira ou
a geração dos anos 50, com destaque para Ivanildo,
uma espécie de homem dos sete instrumentos dentro
e fora de campo? Seja na sede da Avenida Conselheiro
Rosa e Silva, seja em casa, em outro estado ou
país, a torcida timbu reverencia sua instituição.
Cada torcedor ‘centenário’ estará usando seu ‘manto
sagrado’ vermelho e branco por onde quer que ande,
mostrando orgulho por ter história. Uma história
repleta de emoções que vem desde 1901 e não tem
hora para acabar. O ano de 1934 é bastante significativo
para a história do Clube Náutico Capibaribe, pois
marca a conquista do primeiro título de campeão
pernambucano pelo então aristocrático da Conselheiro
Rosa e Silva. Disputando o Campeonato desde sua
segunda edição, em 1916, só 18 anos depois é que
os alvirrubros ingressaram no fechado bloco dos
campeões, até então cingido a América, Flamengo
(extinto), Santa Cruz, Sport e Torre (extinto).
Coincidentemente foram 18 as vezes, até hoje,
em que o pavilhão alvirrubro tremulou no panteão
dos detentores da hegemonia do futebol pernambucano.
Dos primeiros – Epaminondas, Lula e Victor (goleiros);
Oswaldo Salsa, Salsinha e Guimarães (zagueiros);
Taurino, Édson, Rafael, Portela, Pereira, Periquito
e Hélio (médios); Zezé, Artur (o único ainda vivo)
Fernando, Estácio, João Manuel, Lula II e Moreno
– aos que em 1989, conquistaram o último título
– Mauri, Levi, Lúcio Surubim, Romildo, Júnior,
Müller, Erasmo, Aroldo, Newton, Bizu, Nivaldo,
Vavá. Marcão, Chico, Leo, Jorge Pinheiro, Jorginho,
Vavá, Freitas, Gena, Sivaldo, Cal, Augusto, Barros
e Lau – várias levas de jogadores passaram pelos
Aflitos. O hexacampeonato é o galardão mais glorioso
do Timbu, e a exclusividade daquele feito ainda
é usado como gozação aos adversários – Hexa é
luxo. Foram seis anos de vitórias, com uma verdadeira
legião de jogadores, dos mais diferentes níveis,
vestindo a camisa alvirrubra. Embora seja a conquista
mais lembrada tendo em vista a magnitude que traz
em seu bojo, o hexacampeonato não está só na relação
de páginas gloriosas escritas pelo Náutico. Os
três anos em que o Campeonato foi ganho invictamente
– 1952, 1964 e 1967 – atestam a força do Timbu.
Não se pode esquecer também o primeiro tricampeonato
em 1950/51/52. PIONEIRISMO – Alguns lances
de pioneirismo marcam a trajetória alvirrubra
nos cem anos de salutar e profícua existência.
Na década de 50, o clube dos Aflitos rompeu várias
barreiras, como no dia 1º de maio de 1950, quando
se exibia no estádio Zerão, no Amapá, constituindo-se
no primeiro time pernambucano a jogar naquele
campo, cujo centro está exatamente debaixo da
imaginária linha do Equador, dividindo-o nas partes
Sul e Norte. Na mesma viagem, o Náutico também
abriu o caminho da então Guiana Holandesa, hoje
Paramaribo, para os pernambucanos, pois pela primeira
vez uma equipe de Pernambuco jogava ali. Em 1953,
era a primeira equipe do Estado a cruzar o Atlântico,
para fazer uma série de jogos pela Europa, numa
excursão que marcava o batismo internacional do
empresário José da Gama – outro pioneirismo, portanto.
Essa característica dos alvirrubros vinha de muitos
anos. Em 1937, o Recife recebia um time de outro
país pela primeira vez. Era o futebol pernambucano
internacionalizando-se, com a presença do Atlanta,
da Argentina, na época um dos times mais famosos
da América do Sul. A cidade ficou alvoroçada com
a chegada dos argentinos, cuja temporada era patrocinada
pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD),
hoje CBF. O Náutico foi escolhido como o primeiro
adversário dos argentinos, iniciando assim o seu
e intercâmbio internacional do futebol pernambucano.
Mais tarde, em 1968, o Náutico seria o primeiro
time de Pernambuco a representar o Brasil numa
competição internacional, a Taça Libertadores
da América. Entrou como vice-campeão da Taça Brasil
de 1967. Ainda em 68, o Náutico era o primeiro
clube pernambucano a participar do Torneio Roberto
Gomes Pedrosa, o Robertão, predecessor do atual
Brasileirão.

GLÓRIA - primeiro time do Náutico a conquistar
um título oficial. Os campeões pernambucanos
de 34 |

CACARECO - Seleção Pernambucana
de 65. Metade era do Náutico: Nado, Bita,
Ivan, Lala e Gena |
ESCRETE DE 63 - Os campeões quederam início
ao hexa |
DÉCADA DE 70 - Os campeões de 74, quando brilhavam
Jorge Mendonça, Vasconcelos e Paraguaio |
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