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Terça, 06 de Janeiro de 2009
 
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Cem anos de muitas glórias

Lenilvado Aragão Editor de Esportes/JC

Poucos conseguem chegar aos 100 anos. Menos ainda alcançam tamanha longevidade, com tanta vitalidade, marcando gols, vibrando, chorando, agitando a massa. O Clube Náutico Capibaribe conseguiu. Hoje, cada coração alvirrubro carrega o suave peso de uma paixão que já dura um século. Paixão lotada de lembranças: do pequeno grupo de rapazes que se reunia para remar no rio Capibaribe, de cada jogo que gerou o hexacampeonato pernambucano, dos chutes de Bita, da primeira camisa alvirrubra que ganhou do pai, daquela sensacional vitória de virada, das prévias carnavalescas do Baile Vermelho e Branco, do passo em frevo rasgado atrás do Timbu Coroado, das farras pós-jogo junto à galera da Timbucana, dos atuais gols de Kuki e Rafael. Como esquecer os irmãos Carvalheira ou a geração dos anos 50, com destaque para Ivanildo, uma espécie de homem dos sete instrumentos dentro e fora de campo? Seja na sede da Avenida Conselheiro Rosa e Silva, seja em casa, em outro estado ou país, a torcida timbu reverencia sua instituição. Cada torcedor ‘centenário’ estará usando seu ‘manto sagrado’ vermelho e branco por onde quer que ande, mostrando orgulho por ter história. Uma história repleta de emoções que vem desde 1901 e não tem hora para acabar. O ano de 1934 é bastante significativo para a história do Clube Náutico Capibaribe, pois marca a conquista do primeiro título de campeão pernambucano pelo então aristocrático da Conselheiro Rosa e Silva. Disputando o Campeonato desde sua segunda edição, em 1916, só 18 anos depois é que os alvirrubros ingressaram no fechado bloco dos campeões, até então cingido a América, Flamengo (extinto), Santa Cruz, Sport e Torre (extinto). Coincidentemente foram 18 as vezes, até hoje, em que o pavilhão alvirrubro tremulou no panteão dos detentores da hegemonia do futebol pernambucano. Dos primeiros – Epaminondas, Lula e Victor (goleiros); Oswaldo Salsa, Salsinha e Guimarães (zagueiros); Taurino, Édson, Rafael, Portela, Pereira, Periquito e Hélio (médios); Zezé, Artur (o único ainda vivo) Fernando, Estácio, João Manuel, Lula II e Moreno – aos que em 1989, conquistaram o último título – Mauri, Levi, Lúcio Surubim, Romildo, Júnior, Müller, Erasmo, Aroldo, Newton, Bizu, Nivaldo, Vavá. Marcão, Chico, Leo, Jorge Pinheiro, Jorginho, Vavá, Freitas, Gena, Sivaldo, Cal, Augusto, Barros e Lau – várias levas de jogadores passaram pelos Aflitos. O hexacampeonato é o galardão mais glorioso do Timbu, e a exclusividade daquele feito ainda é usado como gozação aos adversários – Hexa é luxo. Foram seis anos de vitórias, com uma verdadeira legião de jogadores, dos mais diferentes níveis, vestindo a camisa alvirrubra. Embora seja a conquista mais lembrada tendo em vista a magnitude que traz em seu bojo, o hexacampeonato não está só na relação de páginas gloriosas escritas pelo Náutico. Os três anos em que o Campeonato foi ganho invictamente – 1952, 1964 e 1967 – atestam a força do Timbu. Não se pode esquecer também o primeiro tricampeonato em 1950/51/52. PIONEIRISMO – Alguns lances de pioneirismo marcam a trajetória alvirrubra nos cem anos de salutar e profícua existência. Na década de 50, o clube dos Aflitos rompeu várias barreiras, como no dia 1º de maio de 1950, quando se exibia no estádio Zerão, no Amapá, constituindo-se no primeiro time pernambucano a jogar naquele campo, cujo centro está exatamente debaixo da imaginária linha do Equador, dividindo-o nas partes Sul e Norte. Na mesma viagem, o Náutico também abriu o caminho da então Guiana Holandesa, hoje Paramaribo, para os pernambucanos, pois pela primeira vez uma equipe de Pernambuco jogava ali. Em 1953, era a primeira equipe do Estado a cruzar o Atlântico, para fazer uma série de jogos pela Europa, numa excursão que marcava o batismo internacional do empresário José da Gama – outro pioneirismo, portanto. Essa característica dos alvirrubros vinha de muitos anos. Em 1937, o Recife recebia um time de outro país pela primeira vez. Era o futebol pernambucano internacionalizando-se, com a presença do Atlanta, da Argentina, na época um dos times mais famosos da América do Sul. A cidade ficou alvoroçada com a chegada dos argentinos, cuja temporada era patrocinada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje CBF. O Náutico foi escolhido como o primeiro adversário dos argentinos, iniciando assim o seu e intercâmbio internacional do futebol pernambucano. Mais tarde, em 1968, o Náutico seria o primeiro time de Pernambuco a representar o Brasil numa competição internacional, a Taça Libertadores da América. Entrou como vice-campeão da Taça Brasil de 1967. Ainda em 68, o Náutico era o primeiro clube pernambucano a participar do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, predecessor do atual Brasileirão.


GLÓRIA - primeiro time do Náutico a conquistar um título oficial. Os campeões pernambucanos de 34

CACARECO - Seleção Pernambucana de 65. Metade era do Náutico: Nado, Bita, Ivan, Lala e Gena

ESCRETE DE 63 - Os campeões quederam início ao hexa

DÉCADA DE 70 - Os campeões de 74, quando brilhavam Jorge Mendonça, Vasconcelos e Paraguaio
 

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