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“O melhor foi ter tirado o Náutico da clandestinidade”
21/Dez/2003
Entrevista feita pelo Jornal do Commercio com Eduardo Araújo, continuação...
O senhor tinha medo de que o trabalho de reestruturação política
pudesse ser desfeito de uma hora para outra?
Poderia acontecer, porque o sentimento seria o de ir para a
arquibancada (criticar) e eu sei disso porque fizeram isso comigo, sem nem saber
da realidade do clube. Não é nada contra a Confraria, mas sim pelo conhecimento
ds dificuldade de se administrar. A Confraria, de forma madura, viu que a melhor
forma de ajudar é essa (compondo uma chapa de consenso).
Este processo eleitoral não foi fácil...
Nenhum processo político é fácil. É preciso ter muita paciência.
Mas o mais importante é que quando, em política, se constrói um grande acordo é
porque alguém teve um gesto. Neste caso, todos os alvirrubros envolvidos
tiveram. Paulo Alves, por exemplo, abriu mão de sua candidatura à
vice-presidência (do Executivo) se o seu nome causasse algum desentendimento na
construção da chapa. Se há um legado político que a gente está deixando é uma
direção em que cabem todas as correntes.
JC – Qual foi o pior e o melhor momento de sua gestão?
Confesso que não tive um pior momento. Claro que houve problemas,
senão eu estaria querendo tapar o sol com a peneira. Já o melhor foi ter tirado
o Náutico da clandestinidade, realizando o acordo com a Justiça do Trabalho.
Isto permitiu a nossa busca por receitas...
...Já há a previsão de receitas, mas como sair daquele círculo
vicioso de sempre montar vários times durante uma mesma temporada? Neste ano, o
Náutico contratou quatro treinadores e cerca de setenta jogadores.
Para se contratar agora, estamos seguindo um perfil. Contratamos
um treinador (Zé Teodoro) que tem gana em trabalhar com a divisão de base, que é
o projeto do Náutico. Outra coisa fundamental é que quem vai assumir o clube é
uma pessoa que está aqui desde 1989, já foi vice-presidente e a maioria de nossa
diretoria vai permanecer, agora mais experiente.
O senhor não tem medo que isso seja visto como uma falta de
renovação das forças políticas do clube?
Não, muito pelo contrário. Feliz do clube que tem entre seus
dirigentes, ex-jogadores e pessoas que se dedicam de corpo e alma. Conhece-se
poucos casos de pessoas assim que fazem isso sendo remunerados. E os nossos nem
recebem para isso. Na verdade, acontece o contrário. Eles remuneram o clube e,
muitas vezes, tiram do próprio bolso.
Em algum momento, passou pela sua cabeça a reeleição?
Não, até porque assumi de uma forma diferente. Condicionei a
Gustavo Krause a minha candidatura – e só aceitei ser presidente porque não
tinha quem assumir –, se eu não ficasse dentro do futebol. Eu iria ajudar, mas
não me envolvendo com contratações.
Ricardo Valois assumirá um Náutico mais estrutrado se comparado
ao que o senhor encontrou?
Por Valois ser da área financeira (é administrador), acredito que
ele assumirá com mais segurança. André assumiu num momento de loucura, só havia
três jogadores no elenco e chegamos ao ponto de precisar de dinheiro emprestado
de Sangaletti. Sérgio assumiu e, ao lado de Renê Pontes, começou a dar um
formato administrativo. E eu consegui dar prosseguimento.
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Eduardo Araújo

Foto: NauticoNET |