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A soma de todos os medos
Por: Frederico Lira - Foto: NauticoNET
Recife, 21 de Junho de 2007
O péssimo
futebol apresentado no Maracanã, domingo,
diante do Botafogo, serviu para corroborar a idéia,
um tanto óbvia, de que o elenco alvirrubro
é frágil, carente em diversas posições
e inconsistente. Frágil, por possuir jogadores
que não estão à altura de
uma série A e da tradição
centenária do Náutico; carente,
além da pobreza técnica, pelo baixo
número de jogadores no elenco principal
e das poucas opções no banco de
reservas; inconsistente, por demonstrar, às
vezes dentro de uma mesma partida, perigosas oscilações.
Perder do Botafogo atual,
indubitavelmente uma das melhores equipes do futebol
brasileiro, atuando em sua casa, não é,
em si, nenhuma vergonha. Jogar um futebol apático,
inerte e pouco inteligente é sim, além
de vexatório, algo extremamente preocupante.
Some-se a isso o fato de, pela primeira vez em
seis rodadas, figurarmos na zona de rebaixamento
- ocupando a alarmante 19ª posição,
com apenas 5 pontos conquistados dentre 18 possíveis
(um pobre aproveitamento de 27,7%).
Um choque de realidade
exacerbado: a soma de todos os medos do torcedor
alvirrubro nesse início de brasileiro.
Se hoje o Náutico
ocupa essa lamentável colocação,
certamente não é por mero acaso.
Um planejamento mal formulado, somado a uma sucessão
de equívocos e a uma política de
contratações altamente questionável,
são fatores preponderantes na explicação
do decepcionante desempenho timbu.
Contratar "refugos"
de clubes do sul-sudeste foi comprovadamente uma
experiência que não deu certo - como
Cristian, Índio, Escalona, Marquinhos e
Yves. Apostar nos jogadores da terra é
uma experiência válida, mas não
quando esses surgem como solução
de crônicos problemas técnicos -
vide Sidny, Deleu, Daniel Sobralense e Wagner
Rosa. Por fim, há os (não tão)
"destaques" de clubes menores de outros
estados, e aí temos os casos de Cris, Toninho
e Hamilton.
Em suma, foi esse o perfil
de contratações do Náutico.
Fracassou, e agora teremos 28 rodadas para reformular
um elenco principal que atualmente conta com apenas
23 jogadores, e protagonizar uma difícil
virada na competição.
Onde vive a esperança
Desde que foram estabelecidos
os pontos corridos - precisamente o ano de 2003
- figurar na zona de degola na sexta rodada não
significa certeza de rebaixamento. Segundo apurou
reportagem do Jornal do Commercio do dia 19 de
junho, somente 2 dos 14 clubes que vivenciaram
a mesma situação do Náutico
atual, na mesma altura do Brasileiro, terminaram
rebaixados - o Santa Cruz de 2006 e o Atlético/MG
de 2005.
Os casos mais emblemáticos
de reviravolta são o Atlético/PR
de 2005 e o Grêmio de 2006. O primeiro disputava
as finais da Libertadores naquele ano. Por priorizar
a competição continental, havia
perdido suas seis primeiras partidas. Terminou
na sexta posição, conseguindo uma
vaga na sul-americana. O Grêmio do ano passado
fazia campanha idêntica à do Náutico
atual: 5 pontos em 18 jogos. Reforçou-se
bem, deu respaldo ao trabalho do competente Mano
Menezes e terminou na espetacular terceira posição,
que lhe deu direito a uma vaga na Libertadores.
Outro ponto a se destacar
é a boa performance dos adversários
do Náutico até aqui: dentre os 6
primeiros colocados, 5 já enfrentaram o
Timbu. Só o Internacional, na 13ª
posição, não faz parte desse
grupo. Além o mais, a diferença
do alvirrubro de Conselheiro Rosa e Silva, na
penúltima posição, para o
12º, Cruzeiro, é de apenas 3 pontos.
Um campeonato equilibrado
como a Série A propicia reviravoltas extraordinárias
e constantes variações na tabela.
É preciso, porém ter uma serenidade
não vista freqüentemente nas bandas
dos Aflitos e, essencialmente, não cometer
mais erros na estruturação do plantel
que nos defenderá na Série A.
Reagir é possível.
Acertar é necessário.
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