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As aparências
enganam... E como!
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
Recife, 29 de Maio de 2007
Não
fosse pelas circunstâncias que ocorreram
na partida, o empate do Náutico com o Vasco
por 2 a 2 no Caldeirão Alvirrubro poderia
ser considerado como normal. Porém, por
se tratar de um jogo nos Aflitos, o ideal seria
o Timbu faturar mais três pontos e, de pronto,
estar numa colocação bem melhor
do que a atual 11ª posição.
O fato curioso é que, a cada rodada, o
time alvirrubro dá um passo adiante.
Bom, em relação
ao jogo parece que a expulsão do zagueiro
Júlio Santos, logo aos dois minutos, prejudicou
mais ao Náutico do que ao próprio
Vasco. Pode parecer irônico, mas foi isso
o que assisti durante todo o primeiro tempo. A
equipe esteve irreconhecível, se comparada
ao comportamento e o desempenho diante do São
Paulo, na rodada anterior.
De cara ficou evidente
que o meia uruguaio Acosta fez aquela falta ao
time. Daniel me pareceu assustado com o fato de
ter que encarar várias situações
novas na sua carreira profissional, de uma só
vez. Começar de frente numa partida de
Série A, e encarar as cobranças
de uma torcida que traz a exigência como
critério de avaliação de
cada atleta que veste a camisa alvirrubra gerou
muita ansiedade e precipitação ao
jovem jogador cearense.
O lateral-direito Baiano
desperdiçou uma ótima oportunidade
de se firmar e convencer, com futebol, que poderia
sim ocupar aquela posição com a
tranqüilidade de quem é experiente
em termos de Série A. Mas a infelicidade
do jogador teve direito, inclusive, a levar uma
bola nas costas num contra-golpe vascaíno
que ocasionou no pênalti e no gol de abertura
da partida.
Mas não foi apenas
Baiano quem destoou diante de um limitado time
adversário, que teve mais destaque pelo
nome (leia-se, a história) do que como
equipe competitiva. O atacante Beto também
deixou de mostrar que pode ser opção
de gol, com a camisa do Náutico. Não
adianta falar de jogo que passou. O que importa
foi o que ele deixou da fazer nos mais recentes
90 minutos. Para ser pontual, 45 minutos foram
mais do que suficientes para mostrar que ele está
com um débito maior do que crédito.
O zagueiro Cris, mesmo
tendo feito o gol da virada, numa cobrança
de falta de Hamilton - que por sinal tinha acabado
de entrar no jogo e cobrou a falta com precisão
-, para mim falhou no lance que originou a falta
que decretou o empate cruzmaltino. Por azar, a
bola ainda bateu numa de suas pernas e traiu Gléger.
Valença deve retornar urgente.
Enfim, o Náutico
deixou de ganhar dois pontos, se analisarmos por
uma ótica. Mas, como não poderia
deixar de ser, o Campeonato Brasileiro da Primeira
Divisão ainda não começou
a se desenhar. Esse ponto somado pode fazer diferença
mais adiante. Isso de forma favorável.
Aos mais pessimistas, quero lembrar aqui que,
no ano passado, o Santa Cruz conquistou apenas
três pontos em dez partidas, ou seja, 30
pontos. Dez por cento, se quiser. Em 270 minutos,
o Timbu já produziu mais do que o rival,
que por sinal não é a melhor referência
a se balizar.
Ao término de três
rodadas, podemos observar que a tal lógica
tão decantada por segmentos da crônica
esportiva local não prevalece. Essa questão
de ter que ganhar em casa, necessariamente não
é a questão. Senão vejamos:
o Cruzeiro perdeu no Mineirão por 3 a 0
para o Corinthians e agora apanhou por 4 a 3 para
o Paraná Clube, que é o atual líder
isolado, com 100% de aproveitamento.
O América de Natal
perdeu as duas partidas em casa, ambas pelo mesmo
placar de 1 a 0, para Vasco e Figueirense, respectivamente.
Foi pontuar exatamente onde ninguém acreditava,
em plena Vila Belmiro, triunfo inédito
para o Dragão Vermelho, diante de um Santos
dividido entre o Brasileirão e a Taça
Libertadores da América.
Pois bem, para quem não
tem memória aqui vai mais um alerta. No
Brasileirão de 1998, o Paraná Clube
foi a sensação daquela edição
após conquistar cinco vitórias seguidas.
Após 23 rodadas, o Tricolor paranaense
venceu apenas sete e empatou três e perdeu
13. Acabou em 20° lugar, dentre 24 clubes.
Já o Inter, próximo
adversário do Náutico, ainda não
pontuou e divide a lanterna, fraternalmente, com
o Juventude. Atual campeão do mundo, e
vice-brasileiro, o Saci é outra evidência
de que contra fatos não prevalece pseudológicas.
Avante, Náutico!
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